Inovação e sustentabilidade do novo turismo algarvio navegam a bordo de um barco solar

Por Elisabete Rodrigues | Sul Informação


Quatro empreendedores ligados à inovação e à sustentabilidade apresentaram os seus projetos à secretária de Estado do Turismo, a bordo do novo catamarã solar



A secretária de Estado do Turismo com Pedro Mestre, CEO da Algarve Sun Boat Trips – Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação


Um catamarã de 12 metros movido apenas a energia solar, com capacidade para 30 pessoas, destinado a fazer passeios pelo rio Arade e pela costa algarvia, feito com «99% de tecnologia portuguesa».


Este é o «Sun Cat I», a nova embarcação da empresa start up Algarve Sun Boat Trips, que já está a operar no Algarve, tendo contado, na sua viagem inaugural, com a presença de vários passageiros especiais, entre os quais Rita Marques, a secretária de Estado do Turismo.


Pedro Mestre, CEO da Algarve Sun Boat Trips, salientou que a nova embarcação marítimo-turística é «um investimento feito com tecnologia e know-how 99% portugueses. Só tem 1% que não conseguimos ainda que fosse tecnologia portuguesa, sendo de uma empresa islandesa».


E que tecnologia islandesa é essa? Trata-se de um complemento da aplicação que se pode descarregar e que, através do sinal GPS, dispara no telemóvel do cliente informação sobre os pontos de interesse patrimonial ou paisagístico, à medida que se vai passando por eles durante o percurso de barco. Como não é necessário sinal de telemóvel, uma vez que se usa a tecnologia GPS, a informação pode ser acedida com mais fiabilidade e em qualquer local do passeio. E assim se evita também que, a bordo, haja aquele ruído de fundo da voz do guia, sempre a debitar informação.


É que, como salientou Pedro Mestre (e constataram todos os passageiros especiais daquele passeio inaugural), o silêncio é outro dos fatores distintivos do catamarã solar. Quase só se ouve o vento, o bater da água nos cascos, os gritos das gaivotas…e as vozes que quem está a bordo, uma vez que o motor é silencioso. E não há o cheiro incomodativo dos gases de escape dos motores.


No entanto, «este silêncio também tem de ser preenchido com algo que torne a viagem atrativa». O facto de a embarcação ser movida a energia solar, silenciosa, não poluente é apenas «a porta de entrada para uma experiência que, no todo, é diferente de qualquer marítimo-turística. Não nos limitamos a pôr painéis solares em cima de um barco, nós queremos proporcionar toda uma experiência única», frisou o empresário.


A Algarve Sun Boat Trips é a primeira empresa de turismo marítimo do Algarve a operar com uma frota 100% ecológica, sem emissões de carbono, em embarcações eletro-solares que permitem viagens confortáveis, silenciosas e, acima de tudo, amigas do ambiente.

O investimento da Algarve Sun Boat Trips na mobilidade sustentável pretende «posicionar a empresa como um dos principais atores ecologicamente responsáveis a operar no mercado da animação turística em Portugal».


O seu CEO Pedro Mestre refere que «um catamarã normal para 30 pessoas consome no mínimo 215 litros de combustível às 100 milhas náuticas. Ao fim de um ano, este novo catamarã poupa o ambiente da emissão de 50 toneladas de CO2 . Este é o futuro que queremos para Algarve e para o nosso planeta».


Mas nem tudo têm sido rosas para a Algarve Sun Boat Trips. «A nossa primeira experiência, com a outra embarcação solar que temos, foi em 2017. Levámos quatro anos para chegar aqui», tempo marcado sobretudo, segundo o empresário, pelas «provações dos licenciamentos».

Em declarações ao Sul Informação, Pedro Mestre revelou que a nova embarcação solar representa um «investimento de cerca de meio milhão de euros, gerador de três postos de trabalho permanentes e de seis a sete postos de trabalho no pico da atividade no Verão».



A secretária de Estado do Turismo com Pedro Mestre, CEO da Algarve Sun Boat Trips – Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação


A bordo do novo catamarã, seguiam outros três empreendedores, todos ligados à Start Up Portimão, operacionalizada pela empresa Territórios Criativos e pela Câmara Municipal de Portimão e que tem sede no Autódromo Internacional do Algarve. E, graças ao silêncio da viagem, entre a Marina de Portimão e o Leixão das Gaivotas, frente à praia dos Caneiros, foi possível que cada um deles apresentasse os seus projetos.


O primeiro foi Pedro Glória, que apresentou o seu projeto SWRS, um sistema inovador de reaproveitamento das águas cinzentas das descargas sanitárias e que permite poupar entre 30% e 40% da água potável, seja numa casa, seja num hotel, sem necessidade de fazer obras. Este projeto valeu a Pedro Glória o 1º prémio do programa Green Up e está agora a começar a ser implementado num resort de referência do Barlavento algarvio.


O segundo foi Pedro Esteves, que lançou um espaço de coworking gastronómico em Portimão. Num antigo restaurante situado no centro da cidade, Pedro criou um espaço com todas as condições de cozinha industrial para a produção de alimentos, catering, etc, que pode ser arrendado por outras pessoas ou empresas, «por um dia, dois dias, todas as semanas, só uma vez por mês, enfim, quando essas pessoas precisarem». O sucesso tem sido tanto que o coworking gastronómico já tem a sua capacidade ocupada em 80%, só tendo disponíveis os horários da madrugada. «Se, neste momento, abrisse um espaço semelhante em Faro, já tinha quatro marcas a quererem trabalhar comigo».


A terceira empreendedora a falar foi Izabella Guzsvan, da TULAlabs. Trata-se de uma startup estrangeira, ligada ao setor automóvel e à robótica, que se instalou na incubadora algarvia tirando partido do potencial gerado pelo facto de funcionar no Autódromo Internacional do Algarve. A TULAlabs está a desenvolver «soluções de transporte disruptivas para pessoas e mercadorias», nomeadamente uma linha de transporte de passageiros em veículos elétricos, não poluentes e sem condutor.



O Sun Cat atracado na Marina de Portimão – Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação



Por seu lado, João Fernandes, presidente da RTA, apesar das nuvens negras que pairam sobre o turismo e a atividade económica na região, fez questão de frisar que, tanto o projeto da embarcação marítimo-turística solar, como os três outros, apresentados durante o curto passeio, são «sinais que me deixam mais tranquilo, porque significam que a energia não vai parar».


Quanto ao catamarã «Sun Cat I», o responsável pelo turismo algarvio não teve dúvidas em afirmar que se trata de «um projeto pioneiro que vai mostrar aos outros qual pode ser o caminho».

Miguel Barbosa, da Portugal Ventures, depois de recordar que, «para se ser empreendedor, é preciso um pouco de coragem, um misto de loucura, pés assentes na terra e vontade de lutar bastante», recordou que o novo catamarã solar é o segundo investimento apoiado no Algarve. O primeiro tinha sido, em 2009, o Autódromo Internacional do Algarve.


Luís Matos Martins, da Território Criativos, frisou que «este tipo de produtos turísticos são transformadores, porque fomentam a diversidade e a complementaridade de turismo, gastronomia, cultura e património, sustentabilidade, energias renováveis».


Os passeios nos dois barcos solares da Algarve Sun Boat Trips partem da Marina de Portimão, a bordo do «Sun Cat» (o catamarã de 12 metros) ou do Sunsailer (monocasco de 7 metros). Por mar, até Carvoeiro, Algar Seco e Benagil ou rumo ao pôr-do-sol, ou pelo rio acima, até Silves, com preços entre os 30 e os 50 euros por pessoa ou 85 euros/hora no caso de um aluguer privado, passear num destes barcos ecológicos será, sem dúvida, uma das experiências do Verão algarvio de 2021.


FONTE:

Inovação e sustentabilidade do novo turismo algarvio navegam a bordo de um barco solar (sulinformacao.pt)